quarta-feira, 26 de maio de 2010

Resumão das aulas de Hermenêutica 1/2


Resumão das aulas de Hermenêutica 
No ultimo dia 15/05 o professor Elias Lopes, passou um trabalho sobre as matérias vista em sala de aula. Caso você não tenha seu caderno em dia, agora você poderá atualizá-lo, pois se tratando do Elias, você precisará ter seu caderno muito bem atualizado.
Que Deus continue abençoando a todos.
Soli Deo Gloria. 
20/02/2010
O que é hermenêutica? É o exercício de interpretar a Palavra de modo que, possa significar para os ouvintes de hoje o que significou para os ouvintes originais.
No dicionário encontramos o significado: "A arte de interpretar textos". Porém hermenêutica vem do grego hermeneia, interpretação.
"E as multidões, vendo o que Paulo fizera, levantaram a sua voz, dizendo em língua licaónica: Fizeram-se os deuses semelhantes aos homens, e desceram até nós. E chamavam Júpiter a Barnabé, e Mercúrio a Paulo; porque este era o que falava" At 14.11-12
 Mercúrio é o mesmo que Hermes. Essa variação de nomes, é devido ao sincretismo religioso, os deuses romanos, são os mesmo das mitologias gregas, os deuses católicos, são os mesmos da umbanda.
Os moradores da cidade de Icônio chamaram a Paulo de Hermes por estar com a palavra, Hermes era um deus da mitologia grega, filho Zeus e Maria, foi considerado na mitologia como mensageiro dos deuses. Por esse motivo o nome Hermenêutica também pode derivado deste fato.
Em primeiro lugar devemos entender que não existem duas interpretações da Bíblia! A hermenêutica é certamente a primeira ciência que o pregador deve conhecer. A hermenêutica é regida por leis que devem ser observadas e seguidas com muita atenção.
Importância da hermenêutica:
1º A bíblia interpreta-se a si mesma
2º A hermenêutica é importante por causa do poder da Palavra como revelação de Deus e por sua necessidade na igreja de hoje.
27/02/2010
1º O poder da Palavra:
·         Revelação
·         Uso das Escrituras
2º Os desafios e problemas na interpretação
3ª Condições para que se faça uma hermenêutica segura
"O grande problema da igreja Brasileira deriva-se do pouco uso da Palavra de Deus ou ao mau uso da mesma. Até os anos 70 poderíamos dizer que tínhamos em nosso País tínhamos uma Igreja saudável, pois foi nessa década que surgiu o movimento neopentecostal" E.L. Fernandes
Precisamos entender os abismos que impedem a compreensão das Escrituras.
1ª Pecado Original [Gn 3.23]
O pecado nos deixou o homem separado de Deus [Rm 5.12; Rm 3.23; Ef 2.2-3], e por esse motivo não pode entender as Escrituras [I Co 2.14; Tt 1.15-16]. Com o pecado original, o homem ficou sobre o domínio de satanás [Ef 2.2-3], e ele tenta impedir o entendimento do homem [II Co 4.3-4; Mt 13.1-23]
2ª Dificuldade de compreensão
Essa é uma limitação humana,impossibilitando o homem de entender o que lê [At 8.31], e pode acontecer até com os salvos [I Pe 3.15-16]
3ª Dificuldade do ponto de vista lingüístico
Santidade, geralmente é associado a usos e costumes, pois quando alguém chega na igreja tratamos logo de ensinar o que não se pode fazer, e não o que se deve fazer.
Como por exemplo, a palavra AGAPE, alguns dizem ser amor de Deus, mas em outros textos como "Demas amou o presente século"[II Tm 4.10], a palavra no original também é ágape.
4ª A questão cultural:
Alguns por não conhecer a cultura do povo a quem o autor destinou o texto, criam doutrinas que não contem nenhuma relação com o fato. Como por exemplo o fato descrito em Jo 2, o casamento em Caná da Galileia, o vinho acabou. Se não souber qual o sentido do vinho no casamento judaico, poderia ser criado qualquer tipo de baboseiras, como já ouvimos, que Jesus hesitou em transformar água em vinho pois era contra a bebida alcoólica, e que só fez o milagre, pois não agüentou o pedido de sua mãe. (Absurdo).
5ª Abismo geográfico
Se o interprete não conhecer o contexto geográfico, jamais poderá entender o fato do texto. Quando lemos por exemplo, o texto de At 8, onde Felipe evangeliza o Eunuco, o texto fica muito claro ao conhecer as rotas e estrada de Israel, sabendo que o mesmo estava passando pela estrada do centro que vai da estrada Via Maris, passando por Jerusalém, Belém e Hebrom em seu primeiro trecho, e fica mais claro ainda quando sabemos que Felipe foi arrebatado desta estrada para Azoto, cidade encontrada a beira da estrada da costa. [Veja essa aula em Geografia Bíblica: http://stbnet.blogspot.com/2010/05/geografia-biblica-15052010-estradas-e.html]
6ª Abismo Literário.
O sermão que se faz em uma parábola, não é o mesmo sermão que se faz em um texto apocalíptico. No caso da parábola, sempre que interpretá-la, deve-se pensar no motivo pela qual ela foi escrita. A parábola do filho prodigo, por exemplo, foi escrita para mostrar aos fariseus que não aceitavam o envolvimento de Jesus com os pecadores e publicano. Entendendo esse sentido fica claro que a ênfase da parábola está sobre o filho que fica, porém já ouvimos muitas mensagens mal interpretadas que diziam que o anel, significava a aliança, as sandálias uma preparação para a proclamação do evangelho, o novilho a manifestação do cordeiro etc (Absurdo).
06/03/2010
Condições para que se faça uma hermenêutica segura:
Ferramentas:
Espirituais = Salvo / Oração / Santificação / Dependência de Deus
Humanas = Estudos Diligentes / Espírito Humilde / Uso de Recursos
Nenhum de nós está isentos de errar quanto à hermenêutica, a preocupação de Deus é saibamos o que estamos ensinando.
Somente o salvo pode compreender o sentido real da Palavra de Deus. Como disse João Calvino devemos "Orare e Labutare", ou seja oração e trabalho. Só poderá usar a espada do espírito aquele que tiver comunhão com o espírito.
13/03/2010
Objetivo da Hermenêutica
Sola Scriptura = Somente a Escritura, como única fonte de regra e fé.

  • Autoridade: Igreja x Escritura

  • Autoria: Divina x Humana

  • Inspiração: Parcial x Plenária

  • Unidade: Plano de Redenção
O Espírito Santo não despreza o uso das faculdades intelectuais, para a boa interpretação das Escrituras.
Autoridade da igreja, foi chamada de ERA DAS TREVAS, onde os bispos e clérigos somente tinham acesso aos escritos sagrados, atribuindo o sentido que melhor lhes convinham, ou criando tradições extra-bíblica, criando uma imposição de tais fundamentos de forma que não se podia pensar diferente da igreja.
A centralidade da reforma foi para dar autoridade à bíblia e não ao clericalismo.
Obs.: Próxima matéria irá sintetizar as regras da hermenêutica.
Que Deus abençoe a todos.
Primeiro Ano STBNET.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Mapas - Geografia Bíblica

MAPAS DE ISRAEL

ESTRADAS E CAMINHOS DE ISRAEL


PRINCIPAIS MONTES DE ISRAEL


MAPA DE ISRAEL

Geografia Bíblica - 15/05/2010 - Estradas e Caminhos de Israel

Estradas e Caminhos de Israel


Olá Irmãos, Graça e Paz.

Na ultima aula, o Prof. Carlos Akio, passou uma nova matéria: Estradas e Caminhos de Israel. Nesta aula, vamos falar de quatro principais Estradas. Sendo elas: Estrada da Costa, Estrada do Centro, Estrada do Leste e Via Maris.

A palavra estrada está registrada 10 vezes na A.T e 5 no N.T; caminho 782 e vereda 63. Estrada é larga e caminho é estreito. Mt 7.13 estabelece a diferença.
Pela posição geográfica de Israel, plantado no mundo antigo, entre as duas superpotencias da epoca: Egito no ocidente e Mesopotamia no levante; estas potencias disputavam a hegemonia do mundo, e lutavam. Israel era o caminho inevitavel para as grandes disputas.

VIA MARIS: Inicia em Acre ou Tolemaida e se dirigia até Damasco. Entrava em Israel pela ponte BENAT YA-QUB, ai sul do lago Hula. Passava proximo de Cafarnaum, e cruzava a planice de Genezare.
Uma parte desta famosa Via Maris era pavimentada e os romanos cobravam , pedagio (impostos) para os que transitavam, tanto de carros, como de cavalos ou vindantes.

ESTRADA DO CENTRO: Essa estrada na verdade eram duas. Ou uma estrada com uma bifurcação transformando-a em dois pontos. Em seu primeiro ponto saia de via maris, passando por Jerusalem, Belem, Hebrom até Gaza, alcançando a estrada da costa. Foi nesta parte que o Eunuco foi evangelizado por Felipe (At 8.26-40). Em seu segundo ponto saia de Hebrom, passando por Berseba e chagava a Eilate.

ESTRADA DA COSTA: Saia do Egito, seguia por uma região deserta cerca de 120Km e atingia o mediterrâneo na altura de Gaza. Continuava pela costa do mediterrâneo passando por Ascalom, Jamia, Jope, Cesareia, Tolemaida, Tiro e terminava em Sidom.
A primeira parte que partia do Egito e siguia até Gaza era conhecida como "Estrada dos Filisteus" (Ex 13.17). 

ESTRADA DO LESTE: Saindo de Jerusalem, cruzava o vale de Cedrom, subia o Monte das Oliveiras, descia até Jericó, atravessava o Jordão, subia os montes da Galaade passava por Filadélfia e continuava até Damasco.
Foi nesta tão importante estrada que Paulo teve um encontro com Cristo (At 9).

Que Deus continue abençoando a todos.

Soli Deo Gloria.

Turma do Primeiro Ano STBNET.

sábado, 8 de maio de 2010

Resposta de Ricardo Gondim sobre a "Teologia Relacional"



Teologia Relacional - Que bicho é esse?
Ricardo Gondim.

(Advertência - O texto é longo e pode fazer mal à sua religião! – quer enfrentar?)

Um Tsunami inundou as praias asiáticas e eu, angustiado com aquela tragédia, escrevi um texto. Erradamente, vazei minhas dúvidas, deixando transparecer em público a minha dor.

Acontece que isso não se faz entre evangélicos, que convivem com certezas. Quase fui linchado em praça pública, já que os protestantes brasileiros se habituaram a “convicções fortes” a uma “fé inabalável” e a “afirmações irredutíveis”.

Outro erro meu: tolamente não cogitei, naquela altura dos acontecimentos, que teólogos e pastores já tivessem respostas com argumentos teológicos muito melhores do que os meus – tenho mais dúvidas do que certezas - para explicar a morte de algumas centenas de milhares de pessoas – a maioria pobre.

De lá para cá, se espalha um amontoado de fofocas pelos corredores evangélicos sobre minha adesão à Teologia Aberta – “Open Theism” em inglês. Como as pessoas ouvem o galo cantar, mas não sabem onde, recebo cartas quase diariamente me perguntando que bicho é esse chamado de Teologia Relacional.

Alguns queridos também escrevem preocupados com minha vida diante dessa "nova heresia”. Teismo Aberto e Teologia Relacional não são a mesma coisa. Vou tentar explicar a diferença.

Começo afirmando que não gosto de rótulos ou cercas que buscam circunscrever as pessoas dentro de categorias. Considero pobre e reducionista taxar alguém de calvinista, arminiano, liberal, relativista ou de qualquer outra coisa. Digo isso porque busco não deixar-me restringir a uma “nova” teologia ou repetir pensamentos enlatados, vindos de fora.

Lamento que professores de seminário continuem achando que aderi a uma única escola vinda dos Estados Unidos denominada “Teologia Relacional”. Eles nem sabem que esse termo é totalmente desconhecido lá.

Aliás, o termo “Teologia Relacional” foi cunhado por mim e pelo Stanlei Belan, um engenheiro muito amigo, membro da Betesda. Em nossos “papos-cabeça”, notamos que carecíamos de uma expressão que nos ajudasse a conceituar nossos arrazoamentos.

Realmente não dá para imaginar que dois tupiniquins o inventaram nos arredores de São Paulo durante um retiro de carnaval.

Mas ao que Stanlei e eu nos referíamos quando criamos a expressão Teologia Relacional? Vamos por parte.

1. Deus se relaciona com mulheres e homens em amor.

Entendemos que a declaração joanina de que Deus é amor não visa conceituar ou definir filosófica ou teologicamente como um atributo divino, mas descrever a maneira como Ele decidiu soberanamente relacionar-se com a humanidade.

Entretanto, vimos que, ao dizer que Deus é amor, complexas implicações se levantavam. Decidimos levá-las às últimas conseqüências, foi aí que acabamos confrontando algumas práticas e percepções religiosas.

Senão, vejamos:

a) Um dos atributos do amor é liberdade. Entendemos que não seria possível falar sobre amor e, ao mesmo tempo, aceitar que ele aconteça com algum tipo de coerção.

Sim, Deus pode arrastar (no calvinismo: “Graça Irresistível") para si quem quiser. Mas, não é assim que a Bíblia revela seu amor. Se agisse dessa forma, Deus teria subordinados, vassalos, marionetes, jamais amigos, filhos maduros ou parceiros.

b) A liberdade como um atributo do amor, complicou ainda mais. Perguntamos: Como Deus pode conceder real liberdade, se sua presença, seu fulgor, sua glória preenchem tudo? Como mulheres e homens poderiam desenvolver virtudes, atitudes maduras e comportamentos responsáveis com a presença de Deus transbordando no mundo, na realidade espacial e nos espaços existenciais?

Deus se ausentou por amor!

O capítulo sobre o amor, escrito por André Comte-Sponville em “Pequeno Tratado das Grandes Virtudes” (Ed. Martins Fontes), pode ajudar a compreender melhor o significado dessa ausência divina:

“O que é este mundo... senão a ausência de Deus, sua retirada, sua distância (a que chamamos espaço), sua espera (a que chamamos tempo), sua marca (a que chamamos beleza)?

Deus só pôde criar o mundo retirando-se dele (senão só haveria Deus); ou, se nele se mantém (de outro modo não haveria absolutamente nada, nem mesmo o mundo), é sob a forma da ausência, do segredo, da retirada, como a pegada deixada na areia, na maré baixa, por um passeante desaparecido, única a atestar, mas por um vazio, sua existência e seu desaparecimento…

Temos aí uma espécie de panteísmo em negativo, que é a recusa de qualquer panteísmo verdadeiro ou pleno, de qualquer idolatria do mundo ou do real.

“Esse mundo enquanto totalmente vazio de Deus é Deus mesmo”, e é por isso que “Deus está ausente, sempre ausente, como indica de resto a famosa prece: “Pai nosso que estás no céu…”

Simone Weil leva a expressão a sério, e tira dela todas as conseqüências: “É o Pai que está no céu. Não em outra parte. Se acreditamos ter um Pai aqui na terra, não é ele, é um falso Deus.” Espiritualidade do deserto, que não encontra ou não prega mais que “a formidável ausência, por toda parte presente”, como dizia Alain, a que responde, em sua aluna, esta fórmula surpreendente: “É preciso estar num deserto.

Pois aquele que é preciso amar está ausente.” Mas por que essa ausência? Por que essa criação-desaparecimento? Por que esse “bem feito em pedaços e espalhado através do mal”, estando entendido que bem possível já existia (em Deus) e que o mal só existe por essa dispersão do bem, pela ausência de Deus – pelo mundo? “Só se pode aceitar a existência da infelicidade considerando-a como uma distância”, escreve ainda Simone Weil. Que seja.

Mas por que essa distância? E, já que essa distância é o próprio mundo, enquanto ele não é Deus (e ele só pode ser o mundo, evidentemente, desde que não seja Deus), por que o mundo? Por que a criação?

Simone Weil responde: “Deus criou por amor, para o amor. Deus não criou outra coisa que não o próprio amor e os meios do amor.” Mas esse amor não é um mais de ser, de alegria ou de potência. É exatamente o contrário: é uma diminuição, uma fraqueza, uma renúncia. O texto mais claro, mais decisivo, é sem dúvida este:

A criação é da parte de Deus um ato não de expansão de si, mas de retirada, de renúncia. Deus e todas as criaturas é menos que Deus sozinho. Deus aceitou essa diminuição. Esvaziou de si uma parte do ser.

Esvaziou-se já nesse ato de sua divindade. É por isso que João diz que o Cordeiro foi degolado já na constituição do mundo. Deus permitiu que existissem coisas diferentes Dele e valendo infinitamente menos que Ele. Pelo ato criador negou a si mesmo, como Cristo nos prescreveu nos negarmos a nós mesmos.

Deus negou-se em nosso favor, para nos dar a possibilidade de nos negar por Ele. Esta resposta, este eco que depende de nós recusar é a única justificativa possível à loucura de amor do ato criador.

As religiões que conceberam essa renúncia, essa distância voluntária, esse apagamento voluntário de Deus, sua ausência aparente e sua presença secreta aqui embaixo, essas religiões são a verdadeira religião, a tradução em diferentes línguas da grande Revelação.

As religiões que representam a divindade como comandando em toda parte onde tenha o poder de fazê-lo são falsas. Mesmo que monoteístas, são idólatras...”.

Embora ateu, Comte-Sponville parece compreender bem que realmente só temos de Deus nesse mundo, suas “pegadas”, sua “impressão digital” – “Os céus declaram a glória de Deus”.

Também concordo com John Hick (“Evil and the God of Love” - New York, Harper & Row; London, Mcmillan, 1966, p. 317) - quando elabora essa ausência divina do universo como um gesto do seu amor e não do seu abandono – como os deístas supunham:

“Ao criar pessoas finitas para amar e serem amadas por ele, Deus precisa dotá-las com certa autonomia relativa quanto a si mesmo”. Mas como pode uma criatura finita, dependente do Criador infinito quanto à sua própria existência e a cada poder e qualidade do seu ser, possuir qualquer autonomia significativa em relação a esse Criador?

A única maneira que podemos imaginar é aquela sugerida pela nossa situação efetiva. Deus precisa colocar o homem à distância de si mesmo, de onde ele então pode vir voluntariamente a Deus. Mas como algo pode ser colocado à distância de alguém que é infinito e onipresente? É óbvio que a distância espacial não significa nada nesse caso.

O tipo de distância entre Deus e o homem que criaria certo espaço para certo grau de autonomia humana é a distância epistêmica. Em outras palavras, a realidade e a presença de Deus não devem se impor ao homem de forma coercitiva como o ambiente natural se impõe à atenção deles. O mundo deve ser para os homens, pelo menos até certo ponto, etsi deus non daretur, ‘como se Deus não existisse’.

Ele precisa ser cognoscível, mas apenas por um modo de conhecimento que implique uma resposta livre da parte do homem, consistindo essa resposta em uma atividade interpretativa não-compelida através da qual experimentamos o mundo como realidade que media a presença divina”.

c) Augustus Nicodemus, teólogo presbiteriano, escreveu um texto (http://www.teologiabrasileira.com.br/Materia.asp?MateriaID=140) em que procura analisar a Teologia Relacional (a partir de agora, tratada por TR).

No primeiro ponto de seu arrazoado, Nicodemus tenta explicar quais seriam pressupostos da TR:

“O atributo mais importante de Deus é o amor. Todos os demais estão subordinados a este. Isto significa que Deus é sensível e se comove com os dramas de suas criaturas”.

Tentemos compreender, frase por frase, o primeiro ponto de sua argumentação:

I) “O atributo mais importante de Deus é o amor” –

Infelizmente, pela fragilidade de seus argumentos, parece que ele nunca leu as obras originais de Clark Pinnock, John Sanders ou Gregory Boyd, apenas o que seus críticos publicaram na internet.

Não conheço ninguém que, ao tentar descrever uma pessoa, consiga catalogá-la, como dona de um “atributo mais importante”, como: honestidade, justiça, bondade ou amor.

Se nas relações entre os humanos as complexidades são enormes, imagine a criatura tentando relacionar-se com o Divino. Deus não é uma “coisa” para destacar-se uma característica sua, mais importante ou mais singular.

Portanto, Nicodemus fez uma afirmação inconsistente com a revelação judaico-cristã de Deus como Pessoa, nunca defendida pelos escritores do teismo aberto ou por qualquer outro teólogo que eu já tenha lido.

II) “Todos os demais [atributos] estão subordinados a este” –

De novo, Nicodemus afirma sem poder situar a fonte da sua declaração. Entretanto, agora fica nítido que está arando terreno para o que vai dizer logo depois, quando exporá uma premissa fundacional do ultra-calvinismo - a apatia divina.

Nicodemus quer, com uma só tacada, demolir as premissas do teísmo aberto e minar o senso comum da tradição evangélica que reconhece a ternura de Deus.

Sua próxima frase vai negar noções intuitivamente percebidas pela grande maioria dos evangélicosa: Deus é afetuoso, sim.

III) “Isto significa que Deus é sensível e se comove com os dramas humanos” –

Espere! Mas não é precisamente isto que as Escrituras repetidamente expressam sobre o Senhor? Por que a TR seria uma heresia por acreditar nos afetos divinos? A não ser que Nicodemus leia as Escrituras com as lentes aristotélicas do “Motor Imóvel” ou da “Apatia Divina”, não há como entender o Deus da Bíblia, senão como uma Pessoa que se sensibiliza e se comove com o drama humano.

Considero desnecessário mencionar centenas e centenas de versículos tanto da Bíblia hebraica como da cristã em que o Todo-Poderoso lamenta e espera; sofre e ri; chora e tem paciência; pune e perdoa. Podem existir conceitos do Divino em que Deus não seja tocado pelo sofrimento humano, mas, seguramente, ele não se parecerá com o Deus Encarnado dos cristãos.

Finalizando, entendo que a Bíblia revela um Deus amoroso usando a metáfora do Pai para significar a intensidade como Ele nos quer bem:

“Como a ternura de um pai para com seus filhos, assim terno é Iahweh para aqueles que o temem; pois ele sabe de que somos feitos, lembra-se de que somos pó” – Sl 103.13-14.

Soli Deo Gloria.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Teologia Relacional de Ricardo Gondim - Por: Augustos Nicodemus

Meu Caro Ricardo Gondim,


Por Augustus Nicodemus Lopes
Alguns amigos me disseram que você tinha feito referência a meu artigo "Teologia Relacional – Um Novo Deus no Mercado"  publicado no site Teologia Brasileira. A referência – na verdade, várias críticas – foram feitas em um artigo recente seu, "Teologia Relacional – Que Bicho é Esse". Fui dar uma olhada, e era verdade mesmo.

Ricardo, acho que você escolheu o artigo errado para criticar em defesa de suas idéias já bem conhecidas do povo evangélico brasileiro. Meu artigo é pequeno e irrelevante diante de obras de maior peso prestes a serem lançadas no mercado brasileiro que analisam e expõem as falácias da teologia que você adotou, quer a chame de teísmo aberto ou relacional. Você deveria ter guardado sua artilharia para "Não sei mais em quem tenho crido," organizado por Douglas Wilson, e "Não Há Outro Deus" de John Frame (a serem lançadas pela Cultura Cristã). E enquanto esses livros não saem, poderia ter atacado "Soberania Banida" do Wright ou o excelente artigo do Dr. Heber Campos, "O teísmo aberto – um ensaio introdutório" na revista Fides Reformata, ou mesmo o livro "O Teísmo Aberto", de John Piper (Vida). Quando você refutar os argumentos de obras desse calibre, se conseguir, sua teologia poderá ficará mais fortalecida e quem sabe você volte a ter o reconhecimento que costumava ter entre os evangélicos brasileiros, embora eu imagine que você não se interessa, pois já escreveu que não se importa com o impacto de suas palavras.

Bom, mas o fato é que você, certo ou errado, resolveu escolher-me como representante dos seus críticos, pelo menos nesse artigo seu. No artigo você promete esclarecer a diferença entre teologia relacional, termo criado por você e um amigo, e o teísmo aberto. O artigo fica devendo, pois não faz nenhuma diferença entre as duas coisas. Você pode ter inventado o termo "teologia relacional" (o que eu tenho dúvidas, pois Pinnock usa o termo "relational theology" no mesmo sentido de "open theism" - veja http://www.ctr4process.org/affiliations/ort/ORTPinnock.pdf), mas o conteúdo continua o mesmo do teísmo aberto. Se sobrou originalidade na cunhagem do termo, ela faltou no preenchimento do conceito. Logo fica claro, quando essa distinção não é feita, que o objetivo do artigo é desacreditar partes do que eu escrevi.

Eu poderia responder seu artigo ponto a ponto, a começar pelo estranho fato de que na tentativa de resgatar o caráter relacional de Deus você acaba tornando-o num Deus distante e ausente. Mas, vou concentrar-me apenas nas partes do seu artigo em que sou mencionado.

1. Você diz que "infelizmente, pela fragilidade de seus argumentos, parece que ele [Nicodemus] nunca leu as obras originais de Clark Pinnock, John Sanders ou Gregory Boyd, apenas o que seus críticos publicaram na internet". O "argumento" a que você se refere é a declaração que eu fiz em meu artigo:

Os pontos principais [da Teologia Relacional] podem ser resumidos desta forma: 1) O atributo mais importante de Deus é o amor. Todos os demais estão subordinados a este. Isto significa que Deus é sensível e se comove com os dramas de suas criaturas.

Obviamente, não li todas as obras deles (você as leu?), mas li o suficiente para formar a minha opinião. E conheço a posição de outros que você nem menciona, como Richard Rice, outro proponente do Teísmo Aberto. Em seu artigo "Biblical Support for a New Perspective", publicado num livro de teístas abertos, ele cita um leque eclético de neo-ortodoxos e liberais, tais como Heschel, Barth, Brunner, Kasper e Pannenberg para apoiá-lo na afirmação que o amor "é mais importante que todos os outros atributos de Deus", até mesmo "mais fundamental… O amor é a essência da realidade divina, a fonte básica da qual se originam todos os atributos de Deus" (o artigo está no livro The Openness of God [A Abertura de Deus], com capítulos de Clark H. Pinnock, John Sanders, William Hasker e David Basinger, de 1994. A citação que estou fazendo é da página 21). Se quiser uma citação de Pinnock, nessa mesma obra, aqui vai:

Podemos entender Deus como sendo um pai que se preocupa, com atributos de amor e receptividade, generosidade e sensibilidade, abertura e vulnerabilidade, uma pessoa (ao invés de um princípio metafísico) que se aventura no mundo, reage ao que lhe sucede, se relaciona conosco e interage dinamicamente com os humanos (num artigo na obra citada acima, página 103).

Pinnock faz essa declaração apresentando o modelo de Deus-amor em contraste com o modelo cristão tradicional (que ele  caricaturiza). Acho que você mesmo deixou claro em seu artigo que a Teologia Relacional começa pelo amor de Deus para daí justificar sua ausência, seu auto-esvaziamento, etc. Talvez você possa dar uma lida em tudo isso, para ver  que o meu resumo é bastante fiel.

2. Ricardo, você diz "Portanto, Nicodemus fez uma afirmação inconsistente com a revelação judaico-cristã de Deus como Pessoa, nunca defendida pelos escritores do teísmo aberto ou por qualquer outro teólogo que eu já tenha lido." Eu não fiz afirmação alguma a não ser reproduzir o que defensores do Teísmo Aberto dizem sobre o amor de Deus. Se há inconsistência, é entre os que eles declaram e a revelação judaico-cristã de Deus como Pessoa. Como eu mostrei acima, teólogos do teísmo aberto (que você cita como se fosse a mesma coisa que teologia relacional, contradizendo a afirmação prévia que as duas coisas seriam diferentes) defendem, sim, o amor de Deus como atributo mais importante. A verdade, Ricardo, é que você aparentemente leu poucos teólogos, ou somente os que lhe interessam.

3. Você diz "Não conheço ninguém que, ao tentar descrever uma pessoa, consiga catalogá-la, como dona de um 'atributo mais importante', como: honestidade, justiça, bondade ou amor". Pois é, Ricardo, então deixa eu te apresentar os seguintes teólogos, filósofos e estudiosos que defenderam um ou outro atributo mais importante em Deus:

- Duns Scotus: infinitude
- Gordon Clark: asseidade
- Cornelius Jansenius: veracidade
- Saint-Cyran: onipotência
- Socinianos: vontade
- Hegel: razão
- Jacobi, Lotze, Dorner e outros: personalidade absoluta
- Ritschl: amor

Outros, mesmo não apontando um atributo mais importante como os acima, puseram ênfase em um único atributo de Deus, como Barth sobre "amor na liberdade", Buder e Brunner na "pessoa", e Moltmann na "futuridade". Como você vê, o fato de você não conhecer alguma coisa não quer dizer que não exista. Quando os teólogos relacionais e/ou abertos destacam o amor de Deus acima de sua, por exemplo, onisciência, estão fazendo a mesma coisa que outros teólogos já fizeram antes deles, com outros atributos de Deus.

4. Você faz uma representação totalmente falsa do que eu escrevi quando diz "Sua próxima frase [de Nicodemus] vai negar noções intuitivamente percebidas pela grande maioria dos evangélicos: Deus é afetuoso, sim". E em seguida, apresenta a prova do crime: "III) "Isto significa que Deus é sensível e se comove com os dramas humanos". Para que os  leitores julguem se eu realmente neguei que Deus se comove com os dramas humanos e que defendo a passividade divina, reproduzo aqui outra vez minha frase no contexto:

Os pontos principais [da Teologia Relacional] podem ser resumidos desta forma: (1) O atributo mais importante de    Deus é o amor. Todos os demais estão subordinados a este. Isto significa que Deus é sensível e se comove com os dramas de suas criaturas.

Vou lhe dar crédito porque nesse ponto do meu artigo, em que me limito a reproduzir o pensamento da teologia relacional, não disse se concordo ou discordo que Deus é sensível e se comove com suas criaturas. Na verdade, eu concordo, sim. Não poderia ser diferente, diante da revelação bíblica. O que eu não posso é tomar a sensibilidade, a ternura e o amor de Deus para anular sua onisciência, sua onipotência, sua imutabilidade e sua soberania, todos igualmente revelados na mesma Bíblia. Eu leio o que você escreve, mas aparentemente você não lê o que eu escrevo. Se lesse, saberia que eu jamais negaria o que a Bíblia diz sobre o amor, a sensibilidade e a ternura  de Deus. Se você tiver tempo, enquanto luta com suas dúvidas intermináveis, leia um artigo meu aqui no blog Tempora-Mores, intitulado "Mais de Cinco Pontos do Meu Calvinismo", do qual reproduzo apenas um parágrafo:

Creio que Deus é soberano e bom, mas não tenho respostas lógicas e racionais para a contradição que parece haver entre um Deus soberano e bom que governa totalmente o universo, por um lado, e por outro, e a presença do mal nesse universo. Diante da perversidade e dos horrores desse mundo, alguns dizem que Deus é soberano mas não é bom, pois permite tudo isto. Outros, que ele é bom mas não é soberano, pois não consegue impedir tais coisas. Para mim, a Bíblia diz claramente que Deus não somente é soberano e bom – mas que ele é santo e odeia o mal. Ao mesmo tempo, a Bíblia reconhece a presença do mal do mundo e a realidade da dor e do sofrimento que esse mal traz. Ainda assim, não oferece qualquer explicação sobre como essas duas realidades podem existir ao mesmo tempo. Simplesmente pede que as recebamos, creiamos nelas e que vivamos na certeza de que um dia ele haverá de extinguir completamente o mal e seus efeitos nesse mundo.

No início de seu artigo você disse que errou em expor suas dúvidas diante de teólogos com "convicções fortes," uma "fé  inabalável" e "afirmações irredutíveis". Não acho que esse foi o seu erro. Todos temos muitas dúvidas e poucas respostas em diversos pontos, conforme você leu acima. E se você leu meu artigo até o fim, terá percebido meu último parágrafo:

Com certeza a visão tradicional de Deus adotada pelo    cristianismo histórico por séculos não é capaz de responder exaustivamente a todos os questionamentos sobre o ser e os planos de Deus. Ela própria é a primeira a admitir este ponto. Contudo, é preferível permanecer com perguntas não respondidas a aceitar respostas que contrariem conceitos claros das Escrituras.

Seu erro não foi externar suas dúvidas, mas a natureza dessas dúvidas. Além do mais, será sempre questionável tentar passar às  pessoas essas dúvidas como se elas fossem o padrão do cristianismo bíblico. Enquanto que eu e os evangélicos tradicionais – calvinistas e arminianos – sabemos em que temos crido, você atravessa um período em que questiona o conceito cristão de Deus quanto à sua onisciência, onipotência e soberania. Suas dúvidas o levaram muito além do antigo debate entre calvinistas e arminianos, a questionar a concepção cristã histórica de Deus.

Sinceramente,
Augustus

sexta-feira, 23 de abril de 2010

terça-feira, 20 de abril de 2010

Geografia Bíblica - Carlos Akio - 17/04/2010

Geografia Bíblica - Carlos Akio - 17/04/2010

 

Olá Irmãos, Graça e Paz

Chegamos agora a um momento crucial na aula de Geografia Bíblica. No dia 17/04 teremos a primeira avaliação deste semestre, no qual irá abordar os assuntos: Fértil Crescente , Doze Tribos de Israel: [http://stbnet.blogspot.com/2010/03/resumo-da-aula-geografia-biblica-130310.html], Mapa de Israel [http://stbnet.blogspot.com/2010/03/resumo-da-aula-geografia-biblica-2003-e.html], e por fim o Mapa da Orografia de Israel (Os Montes), lição essa que segue abaixo.

Irmãos, abaixo segue o mapa feito em Pait, de forma simples para que todos possam aprender a desenhar o mesmo.

Obs.: Estarão descritas abaixo também algumas das informações que servirão de curiosidades ou para enriquecimento de seu conhecimento acerca da geografia. Porém o que de fato é "importante", está descrito no mapa.

 

Monte Sião:

Localizado na parte Leste de Jerusalém, o monte Sião ergue-se ali soberano e altivo. Com aproximadamente 800 metros de altitude, ao nível do Mediterrâneo, é a mais alta montanha da cidade Santa. Designa-o desta forma o profe­ta Joel: "E vós sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus, que habito em Sião, o monte da minha santidade; e Jeru­salém será santidade; estranhos não passarão mais por ela" (Jl 3.17).

O Monte Sião era habitado pelos Jebuseus. Davi, en­tretanto, ao assumir o controle político-militar de Israel, resolveu desalojá-los. A partir de então, aquela singular elevação passou a ser a capital do Reino de Israel. Em vir­tude de sua posição privilegiada, era uma fortaleza natural para a cidade de Jerusalém.

Mais tarde, ordenou Davi fosse levada a arca da alian­ça a Sião. Por causa disso, o monte passou a ser considera­do santo pelos hebreus. Décadas mais tarde, com a remo­ção da sagrada urna ao Santo Templo, Sião passou a desig­nar, também, a área compreendida pela Casa do Senhor. E, não foi muito difícil a própria Jerusalém ser chamada por esse abençoado nome.

Monte Moriá:

Moriá é sinônimo de sacrifício e abnegação. Nesse monte, o patriarca Abraão passou a maior prova de sua carreira espiritual. Premido pelo Todo-poderoso, prepara­va-se para sacrificar seu filho, seu único filho Isaque, quando ouviu este brado: "Abraão, Abraão! E ele disse: Eis-me aqui. Então disse-lhe o anjo do Senhor: Não es­tendas a mão contra o moço, e não lhe faças nada; por­quanto agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho, o teu único" (Gn 22.11,12). Continua a narrativa: "Então levantou Abraão os seus olhos; e eis um carneiro detrás dele, travado pelas suas pontas num mato; e foi Abraão, e tomou o carneiro, e ofereceu-o em holocausto, em lugar de seu filho" (Gn 22.13).

Localizado a leste de Sião, e Monte Moriá tem uma altitude média de 800 metros ao nível do Mediterrâneo. De forma alongada, sua parte mais baixa era conhecida como Ofel. No tempo de Abraão, Moriá não designava propria­mente um monte, mas uma região.

Mil anos após a era patriarcal, Salomão construiu o Templo nessa elevação. A Casa do Senhor, entretanto, foi destruída por Nabucodonozor, em 587 a.C. Reconstruída no tempo de Esdras e Neemias, foi novamente destruída pelo general Tito, no ano 70 de nossa era. Atualmente, sobre esse monte, encontra-se a Mesquita de Ornar, um dos lugares mais sagrados para os muçulmanos.

O que significa Moriá? O professor Zev Vilnay, citado por Enéas Tognini, explica: "Os sábios de Israel pergunta­ram: - 'Por que este monte se chama Moriá?' - Porque vem da palavra 'Mora', que, em hebraico, significa temor. Desta montanha o temor de Deus percorreu a terra toda. Outra versão diz que vem de 'ora', que quer dizer luz, pois quando o Todo-poderoso ordenou: 'Haja luz', foi do Moriá que pela primeira vez brilhou a luz sobre a humanidade."

Hoje, Moriá poderia ser chamado "Montanha das Lá­grimas". Do Templo, restou apenas uma muralha na qual judeus de todo o mundo choram seu exílio e suas amargu­ras O Muro das Lamentações é o último resquício da gló­ria passada de Israel.

Monte das Oliveiras:

O Monte das Oliveiras situa-se no setor oriental de Je­rusalém. O Vale do Cedrom separa-o do monte Moriá. Esse monte, denominado "Mons Viri Galilaei", compõe uma cordilheira, sem muita expressão, com aproximada­mente três quilômetros de comprimento.

Na parte ocidental do Monte das Oliveiras, fica o Jar­dim do Getsêmani. Nos dias do Antigo Testamento, essa sagrada elevação era coberta de oliveiras, vinhedos, figuei­ras e uma série de outras árvores frutíferas e ornamentais. A fertilidade dessa região é proverbial e secular, haja vista que, depois do exílio babilônico, a Festa dos Tabernáculos foi realizada com os ramos das árvores do Olivete.

No Jardim do Getsêmani, Jesus enfrentou um dos mais dolorosos momentos de seu ministério. Envolto na sombra da noite, clamou. Pressionado pelos nossos peca­dos, chorou. Ali, seu corpo foi esmagado por causa das nos­sas transgressões. 1.4 - Monte da Tentação

Logo após o seu batismo, foi Jesus levado a um monte, onde passou 40 dias. Em completo jejum por 40 dias, foi tentado pelo Diabo; teve fome depois de terminar o jejum e sofreu a solidão. Essa elevação, que serviu de claustro ao Salvador, é conhecida como o monte da Tentação.

Distante 20 quilômetros a leste de Jerusalém, esse monte fica a quase 1000 metros acima do nível do mar. Sua altura, contudo, não ultrapassa a 300 metros, por encon­trar-se no profundo terreno do vale do Jordão. Caracteriza­do por ingrata aridez, possui inúmeras cavernas, onde os monges refugiam-se para meditar.

Na realidade, as Sagradas Escrituras não declinam o nome do monte onde o Senhor foi tentado

Monte Ebal:

Do Ebal foram pronunciadas as maldições. Localiza­do no Norte de Nabus, seu solo é aridificado e com muitas escarpas. Tem 300 metros de altura e fica a mais de mil metros de altitude em relação ao Mar Mediterrâneo.

Jotão proclamou seu célebre apólogo do cume desse monte. E, dessa engenhosa maneira, incitou Israel a lutar contra o usurpador Alimeleque.

Tanto o Ebal, como o Gerizim, ocupam posição estra­tégica. Para se alcançar qualquer parte da Terra Santa, há de se passar, necessariamente, por ambos os montes "Ebal" significa, em hebraico, pedra.

Monte Gerizim:

Ao contrário do Ebal, o monte Gerizim é coberto por reconfortante vegetação. A altura dessa elevação é de 230 metros. Com relação ao nível do Mediterrâneo, está situa­do a 940 metros de altitude. Nesse monte, foram abertas muitas cisternas para captar águas da chuva.

Após o exílio babilônico, os samaritanos, instigados por Sambalá, construíram um templo sobre o Gerizim. Vi­savam tirar a glória do Templo reconstruído por Esdras e Neemias. Em 129 a.C, o lugar de adoração dos samarita­nos seria destruído por João Hircano.

Recentemente, Salcy descobriu reminiscências desse espúrio santuário. Conforme descreve esse laborioso ar­queólogo, o templo dos samaritanos era rico e suntuoso.

O Monte (gerizim, atualmente é conhecido como Jebel et-Tor. E. continua sendo o lugar de adoração dos samaritanos. Segundo dizem, foi nesse monte que Abraão pagou o dízimo a Melquisedeque.  

Monte Cornos de Hatim:

Localizado nas proximidades do mar da Galiléia, o monte Hatim compõe o chamado Cornos de Hatim. Sua altitude não ultrapassa os 180 metros. É um lugar bastante atrativo. De seu topo, pode-se avistar o Mar da Galiléia. Seus dois picos principais têm a aparência de chifres.

Acredita-se ter sido esse o monte, do qual Cristo pro­nunciou o célebre Sermão da Montanha. O Hatim é conhe­cido, de igual modo, como o Monte das bem-aventuranças.

Monte Nebo:

1- Um deus de Babilônia, Is 46.1. Supunha-se presidir as ciências e a literatura. Era o padroeiro dos mais importantes reis da Babilônia, cujos nomes incluiam o nome Nabu ou Nebo.  

2. Um monte de Moabe,Dt 32.49. O mais alto cume da serra de Pisga, e de onde Moisés viu a Terra da Promissão. Daí vê-se o monte Hermom no extremo norte, a região montanhosa de Efraim, o Carmelo, o mar Morto, o vale do Jordão, etc. O monte Nebo tem altura de 793 metros acima do nível do mar.  

3. Uma cidade de Moabe, perto do monte Nebo, Nm 32.3.

MONTE SINAI - Especificamente o monte "MUSA":

O Sinai constitui-se de uma península montanhosa, localizada entre os golfos de Suez e Acaba. Nessa região, Deus apareceu a Moisés e o comissionou a libertar Israel do jugo faraônico. Da sarça ardente, clamou o grande Jeo­vá: "Eu sou o que sou". Em frente a esse monte, ficaram os israelitas acampados por quase um ano. Nesse santo lugar, o Senhor entregou a Lei aos filhos de Israel (Êx 19 e Nm 10).

Conhecido também como Horebe, o monte Sinai ser­viu de refúgio a Elias. Nele, o profeta, o ardente profeta de Jeová, pôde esconder-se da perversa Jezabel. "Sinai", segundo os exegetas, significa sarça ardente, fendido ou rachado. Dizem alguns ser esse nome uma evo­cação a Sin, deusa da Lua. Nas Sagradas Escrituras, esse monte recebe três diferentes designações: Monte Sinai. Horebe e Monte de Deus.

Essa sagrada elevação tem uma forma triangular. Seus vértices superiores repousam nos territórios asiático e africano. Ao Leste, é banhada pelo Golfo de Acaba. Ao Ocidente, pelo Golfo de Suez. A área da Península do Si­nai mede 35.000-. Nessa região, podemos encontrar três zo­nas geológicas: Cretácea, Arenística e Granítica.

Apesar de aridificado, esse território tem os seus en­cantos particulares. Os montes erguem-se soberanos e alti­vos. Queimadas pelo Sol, as areias mostram-se multicolo-ridas. A vegetação é sobremodo escassa, tornando a sobre­vivência humana praticamente impossível. Os oásis são uma raridade. Em alguns locais, contudo, vislumbram-se verdes vales, em virtude da água, que provém da neve de alguns altos picos. Nesses lugares, os anacoretas encon­tram repouso e silêncio para a sua meditação.


1 - http://oseiasgeografo.blogspot.com

2 - Enciclopédia Biblica Linox SBB

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Fotos: Geografia Bíblica

Pensamentos da Semana

  • "A Lei foi dada para que se implore a graça; a graça foi dada para que se observe a lei." (Agostinho de Hipona)
  • "Não estamos no evangelho da prosperidade, e sim no evangelho da pobreza, nós vivemos do que temos, não com o gostariamos de ter" (Enéas Tognini)
  • "Só usamos o termo "Calvinista" como apelido...A doutrina que chamamos de Calvinismo, é a mesma que encontramos nos escritos de Agostinho, que é a mesma dos escritos do Apóstolo Paulo, que é a mesma ensinada por Cristo...o Calvinismo é o evangelho e nada mais" (Charles Spurgeon)
  • Ao olhar-se no espelho de Romanos 3 verá que está descrito em termos nada louváveis à sua justiça própria, mas ali estará descrito como morto, guiado pelos espíritos malignos, distanciado de Deus, nas trevas, pecaminoso e condenado" (Elias Lopes)
  • “Não oraremos de uma maneira correta a menos que a preocupação por nossa própria salvação e zelo pela glória de Deus sejam inseparavelmente entrelaçados em nossos exercícios.” (João Calvino)